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[ 13.2.03 ]
Nostalgia DigitalNo dia 26 de janeiro, o Veríssimo escreveu em sua crônica intitulada "Dois buracos" - infelizmente não achei um link com ela - o seguinte: "Uma das minhas poucas convicções religiosas é que jogar papel impresso fora é pecado". Muitas pessoas tem essa mania, principalmente os viciados em leitura. Para esses, "até volante de dedetizador", exemplo do LFV na crônica, tem sua importância. Eu sou um desses. Meu quarto é atulhado de livros, revistas, jornais velhos e até de papeis escritos ou desenhados. Eu guardo tudo o que eu possa ler depois. É uma mania, e nem é tão saudável assim (até hoje tenho pesadelos com o dia em que encontrei minha coleção de gibis do Conan, que eu nem gostava tanto assim, cheia de cupins). O apego exagerado a objetos não é um hábito salutar. Se agarrar a uma pilha de papéis que na grande maioria das vezes só serve pra acumular poeira e ácaros - péssimos pra minha alergia - já é coisa de internação. E o que fazemos com nossa "coleção de papel", que é uma coisa tátil, basta você se interessar por aquele artigo de 1984 da revista tal, ir na pilha e pegá-lo? Nós os deixamos numa quarentena de anos, intocados até criarem camadas espessas de pó. Imagine agora o que não fazemos com aqueles milhares de disquetes e cd´s que guardamos pensando em utilizar depois e nunca mais mexemos? Só de pensar em ter que pegar o monte de disquinhos, ligar o computador, abrir o Windows Explorer e ver que arquivos cada um tem, me dá uma preguiça tão grande que eu prefiro jogar alguma coisa ou ouvir um cd no micro. Com isso, coisas que escrevemos ou que escreveram pra gente ficam esquecidas, na sua intocabilidade digital. Só que ontem, na minha ociosidade de desempregado, sem assunto pra escrever aqui ou ali, criei coragem e revirei minha pilha de disquetes, que dormitavam há anos na minha mesa. Putz, vocês não imaginam como pode ser divertido isso! Currículos desatualizados, piadas enviadas pro seu mail, contos não terminados ou abandonados por sua baixa qualidade, joguinhos pré-históricos, todo tipo de lixo que um dia, nós pensávamos que teriam alguma utilidade futura. Bom, serviu pelo menos pra me divertir por uns minutos. Não vou ficar aconselhando vocês leitores a fazerem essa busca nos seus disquetes. Talvez vocês sejam mais organizados que eu e tenham anotado os nomes dos arquivos nas etiquetas, ou talvez tenham mais memória que eu e lembrem imeditamente o que os disquetes contém só de ver sua etiqueta. Não é todo mundo que sente essa nostalgia de tempos nem tão distantes assim, como eu. Talvez eu faça uns posts com essa tranqueira, algum dia, o que já é uma coisa. E, não é nada, não é nada, os disquetes velhos já renderam um post....
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