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[ 13.2.03 ]

Coisas que eu gostaria de ter escrito



Batucada
(Marcelo D2/ Rodrigo Nutz/ Zé Gonzales) Música incidental "A Batucada dos Nossos Tantãs (Adilson Gavião/Sereno/Robson Guimarães) "

"Samba
A gente não perde o prazer de cantar
E fazem de tudo pra silenciar
A batucada dos nossos tantãs
No seu ecoar
O samba se refez
Seu canto se faz reluzir
Podemos sorrir outra vez

Samba
Eterno delírio de um compositor
Que nasce da alma, sem pele, sem cor
Com simplicidade não sendo vulgar
Fazendo da nossa alegria
O seu habitat natural
O samba florece no fundo do nosso quintal
"

Do fundo do meu quintal faço esse som pra você
Duas vitrolas, vinil e uma SP
Estilo variado fazendo a estrutura balançar
Cantando rap, samba, lá-ia, lá-ia, lá-ia
Deixo a temperatura do recinto quente
Com um microfone na mão, abalando tudo pela frente
Eu entro no samba com meu hip-hop
O DJ solta a base, a mulata sacode
Não precisa prestar atenção no que eu tô dizendo
Não tenho o que rimar, eu mando um remendo
Agora lembrei de uma boa que rima com samba
Eu sou da nova geração e a minha ginga é de banba
Mas sempre influenciado pela velha guarda
Veio do fundo do quintal, essa parada
Fronteira não há pra nos impedir
Você não samba mas vai ter que aplaudir

Marcelo D2 é um bom malandro. Graças muito a ele, o hip hop do Rio de Janeiro tem uma identidade que pode se impor (se dependesse do "Pensador"...tsk,tsk,tsk). Mesmo sem ter a intenção, ele é o contraponto descontraído ao rap paulista. Não que o Rio seja uma maravilha ("Saraievo e brincadeira, aqui é o Rio de Janeiro", já disse D2 no Planet Hemp). É muito fácil encontrar pontos comuns no som do Marcelo e o do Mano Brown, por exemplo. Vindos da periferia, sabem que o "bagulho é loco" e a "parada é sinistra" pra quem é pobre e falam muito disso nos seus raps. Mas isso só reforça o valor do "Eu Tiro é Onda", o excelente disco solo do vocalista do Planeta Maconha. Não seguindo o estilo Gangsta dos Racionais, D2 fala em suas músicas, de forma autobiográfica, sobre o cotidiano "perigoso e divertido" do Rio. E Marcelo conhece como poucos os dois lados dessa cidade maravilhosa e desigual. Fumar um baseado ouvindo um som com os camaradas, andar de skate e tomar uns gorós na Lapa, isso se um PM (porcos fardados) não os enquadrar.
É um disco de Hip hop, mas impregnado com a alma sambista carioca. Na minha modesta opinão, "Eu Tiro é Onda" é, junto do "Sobrevivendo no Inferno" dos já citados Racionais, o melhor disco do estilo já feito no Brasil.



Aqui, 021!!!
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